sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Brasília



A vida tem dessas coisas. Desesperada com o iminente desemprego, vi meu desespero se transformar num curto espaço de uma semana. Fui à Brasília numa terça-feira fazer entrevista. Me ligaram na sexta: "Você começa segunda-feira, às 8h"; "Obrigada, até segunda". De repente, comecei uma mudança de tamanho inimaginável; naquele momento, só sentia empolgação porque tinha conseguido um trabalho.


Antes, Brasília me lembrava apenas turismo, além de corrupção, é claro. Depois de formada, eu dizia querer mudar pra qualquer lugar, num ímpeto desafiador de horizontes que nunca tinha me tomado. Porém, quando falava isso, eu pensava em Vitória, que é minha segunda casa. E não numa cidade totalmente estranha, de atmosfera pesada, que respira poder, política, dinheiro e trabalho, muito trabalho.

Desde sempre acostumada com mudanças, comuns na infância devido ao trabalho do meu pai, e na adolescência devido aos meus estudos, lá fui eu, corajosa. Com medo, porém animada, principalmente com o trabalho, que eu estou adorando. Toda a rotina de uma assessoria de comunicação de uma associação nacional, importante, concentrada em mim. Os assuntos que eu já conhecia e gostava, numa perspectiva macro. E eu me desdobrando em mil pra dar conta.
Dá uma sensação de "eu cresci", que vocês não imaginam. Acordar, sair pra trabalhar, ter horário de almoço, salário, vale-refeição, viagens profissionais (esse final de semana já vou pra São Paulo), obrigações, chefe bravo.

Fora o trabalho, que consome boa parte de mim, só saudade. Saudade de uma rotina que eu sei que não volta mais, porque a responsabilidade só aumenta. Saudade de gente na minha vida. Das amizades que eu tinha acabado de consolidar, da liberdade na minha cidade natal, das conversas de liquidificador, dos sempre quase namorados, do shopping com as amigas, da discoteca no estágio, das minhas mães, da casa de bonecas, do ninho, do carinho.

Brasília ainda está muito vazia e rígida. A mais nova empreitada da minha vida é descobrir a Brasília leve e amigas que não sejam as paredes da minha casa.

2 comentários:

marília disse...

ahh.. me da um orgulho e uma inveja quando eu leio que vc conhece a sensação de "eu cresci". Você aí tão-tão e eu aqui tão perdida.. heheh enfim, mas existem pessoas em Brasília, apesar de você não ver ninguém andando na rua. Existem pessoas, existe música, existem amigos, você só não descobriu ainda. Mas pra todo caso, aqui também tem tudo isso e tem a vantagem de que a nossa corrupção é mais leve, menos escancarada e de que poucas pessoas dão moral pra ela ;)

isa. disse...

Sabe aquela história de ciclos que a gente vê nos mapas astrais e nos horóscopos da vida? Pois é...tem hora que a gente fica imaginando: Será que estou entrando num desses ciclos? Será que estou saindo de um deles ou isso é impressão minha?

Você encerrou um Ana e entrou com pé direito em outro. Não precisa deixar pra trás as coisas boas pois elas ficarão seguras, guardadas num lugar especial aí bem dentro de você.

O que vem a partir de agora é dasafio. E você ainda tem a vantagem de começar de cima. Sobre um alicerce construído com amor e dedicação por você mesma durante toda essa história que ficou pra trás.

Pra você amiga, sucesso é questão de tempo, e eu estarei aqui torcendo muito pra que ele chegue logo! bjusss