Minas com Bahia
(Chico Amaral)
Sacudir estrelas
Despertar desejo
Numa noite fria
Uma noite fria
Uma noite fria
No meio da rua
Lá de longe eu vejo
Minas com Bahia
E o samba ia
Juro que ia
Amanhã é domingo, menina
Ninguém vai te acordar
Deixa chover na esquina
Deixa a vida rolar
Burungundum bateu meu tambor
Quero cuncunca rever meu amor
Ti ri ti tira a esteira daqui
Porque só vim buscar (meu amplificador)
Sacudir o mundo
Procurar no fundo
O que leva uma dia
Até outro dia
Até outro dia
Uma horas dessas
E você tão só
Eu fiquei com dó
Eu só disse ó
Eu te quero muito bem
Nessa noite fria, como todas em Brasília, eu vou fazer
minha estreia na night candanga.
Vamos lá, vou sacudir o mundo, procurar no fundo,
a vida dessa cidade! Porque até hoje não encontrei.
O povo é frio como o clima...
Mas eu vou buscar meu amplificador..
Pra ampliar a minha vida, as minhas possibilidades,
a felicidade.
E o melhor é que...
Amanhã é domingooo, ninguém vai me acordar......
=****
sábado, 4 de abril de 2009
Burungundum bateu meu tambor
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Tapa na cara
terça-feira, 31 de março de 2009
Só um desabafo II, o retorno
Outra da série "Escutei conversas de terceiros":
No elevador, em Brasília, dois homens conversando:
- As pessoas só precisam de carinho. Se você deu carinho para preencher a vida daquela pessoa, pronto, você conquistou.
- É verdade.
Não, eles não eram gays.
Talvez equilibre o choque que eu causei nas minhas amigas com as declarações ouvidas anteriormente.
P.S.: Eu e essa minha nova mania de escutar conversas alheias. Jornalista tem que ser curioso, não? Considero qualidade primordial na minha profissão; o que seria de nós sem o movimento de querer saber? Nada. Portanto, continuarei ouvindo... rsrsrs
No elevador, em Brasília, dois homens conversando:
- As pessoas só precisam de carinho. Se você deu carinho para preencher a vida daquela pessoa, pronto, você conquistou.
- É verdade.
Não, eles não eram gays.
Talvez equilibre o choque que eu causei nas minhas amigas com as declarações ouvidas anteriormente.
P.S.: Eu e essa minha nova mania de escutar conversas alheias. Jornalista tem que ser curioso, não? Considero qualidade primordial na minha profissão; o que seria de nós sem o movimento de querer saber? Nada. Portanto, continuarei ouvindo... rsrsrs
sexta-feira, 27 de março de 2009
Agora sim, um texto de verdade: Brasília II
Dois meses morando em Brasília. Por enquanto, algumas certezas e muitas dúvidas.
Certeza de que eu fui abençoada e sortuda porque consegui um emprego muito bom e que me abre muitos caminhos; mas isso não é apenas quanto a mim. Uma forte impressão sobre a cidade é a de que ela é cheia de oportunidades. O desenvolvimento começa aqui, mas isso não é novidade nenhuma, tanto é que já me acostumei com o jeito carioca, a saudade dos goianos (que não é só minha), o sotaque nordestino e os olhos azuis vindos do sul.
Brasília parece não ter identidade de povo; o que não significa que não a tenha. Tem uma identidade burocrática, que só remete ao poder, às decisões administrativas e políticas tomadas aqui e que afetam o país, por que não dizer, o mundo. Isso influencia o povo, que se torna também burocrático, não dá bom dia no elevador, não conversa na estação do metrô e não faz questão de ser simpático. A não ser, é claro, que a pessoa em questão não seja um mortal qualquer assessor de comunicação da associação de sei lá quem; seja filho do fulano do ministério tal, sobrinho do deputado que vota aquela lei ou amigo do cara do Banco Central.
É cinza. Ainda não vi o sol aqui; um sol bonito, que brilha. É cinza nos dois sentidos, no metafórico e no real. Além da cinzenta frieza humana sobre a qual falei, aqui tá nublado todo dia, chove e faz frio, muito frio. O cinza contrasta com a arquitetura impecável dos altos prédios da capital federal. Outro elemento da identidade brasiliense: as construções suntuosas, transbordando decisões, negócios, problemas e política pelas janelas.
Aqui é assim, e eu tô cada dia mais parte dessa coisa horrível. Por isso que eu vou pra Goiânia todo final de semana, e nunca quero voltar.
Certeza de que eu fui abençoada e sortuda porque consegui um emprego muito bom e que me abre muitos caminhos; mas isso não é apenas quanto a mim. Uma forte impressão sobre a cidade é a de que ela é cheia de oportunidades. O desenvolvimento começa aqui, mas isso não é novidade nenhuma, tanto é que já me acostumei com o jeito carioca, a saudade dos goianos (que não é só minha), o sotaque nordestino e os olhos azuis vindos do sul.
Brasília parece não ter identidade de povo; o que não significa que não a tenha. Tem uma identidade burocrática, que só remete ao poder, às decisões administrativas e políticas tomadas aqui e que afetam o país, por que não dizer, o mundo. Isso influencia o povo, que se torna também burocrático, não dá bom dia no elevador, não conversa na estação do metrô e não faz questão de ser simpático. A não ser, é claro, que a pessoa em questão não seja um mortal qualquer assessor de comunicação da associação de sei lá quem; seja filho do fulano do ministério tal, sobrinho do deputado que vota aquela lei ou amigo do cara do Banco Central.
É cinza. Ainda não vi o sol aqui; um sol bonito, que brilha. É cinza nos dois sentidos, no metafórico e no real. Além da cinzenta frieza humana sobre a qual falei, aqui tá nublado todo dia, chove e faz frio, muito frio. O cinza contrasta com a arquitetura impecável dos altos prédios da capital federal. Outro elemento da identidade brasiliense: as construções suntuosas, transbordando decisões, negócios, problemas e política pelas janelas.
Aqui é assim, e eu tô cada dia mais parte dessa coisa horrível. Por isso que eu vou pra Goiânia todo final de semana, e nunca quero voltar.
Só um desabafo
Essa semana andei demais por aí e escutei duas frases que me chamaram atenção sobre uma causa que eu milito há alguns meses: a valorização da mulher por parte do homem.
Frase 1: "Ah, essa é só pra ir pra contabilidade!"
Frase 2: "Essa aí ele pegou lacrada!"
Pelo amooooooooooooor de Deus, onde está o respeito, o romantismo, a delicadeza?
A minha frase é: vai pro blog! Cuidado....
Frase 1: "Ah, essa é só pra ir pra contabilidade!"
Frase 2: "Essa aí ele pegou lacrada!"
Pelo amooooooooooooor de Deus, onde está o respeito, o romantismo, a delicadeza?
A minha frase é: vai pro blog! Cuidado....
quarta-feira, 25 de março de 2009
De repente 30
Diferentemente da mocinha do filme homônimo ao meu post, que, de repente, se vê voltando ao tempo e adotando comportamento de uma menina de 12 anos de idade, eu acabo de perceber que adiantei minha vida. De repente, me sinto com uma enorme responsabilidade de adulta, tipo, com 30 anos.
De repente, eu sou testemunha ocular de uma medida que muda a vida de milhões de pessoas do país, e estou lá justamente quando o ministro apresenta as mudanças para a Associação em que trabalho; em primeira mão, claro.
Naquela sala, decidia-se sobre o futuro da educação no país; e eu sentia o peso de ser adulta e jornalista, responsável, em parte, pela mediação dessa informação para a imprensa nacional. Enquanto escrevo esse post, Fátima Bernardes dá a manchete no Jornal Nacional (sério!).
Depois de horas de reunião, chega alguém que informa ao ministro: a imprensa está esperando. Aí sim, ele e o presidente da entidade em que trabalho foram para a sala de coletivas do MEC, e os outros jornalistas da face da terra tiveram acesso à informação. rsrsrs Tá bom, eu sei que eu tô empolgada; mas é muito interessante sentir a responsabilidade social do jornalismo, o poder da informação e o poder que você tem sobre ele. A partir daí, meu celular não parou de tocar; com direito a produtora do Fantástico, gravação no SBT, entrevista para a CBN.
Parte II
Ok, superada essa fase, comi alguma coisa em 30 minutos e fui para a primeira de três reuniões que tinha na Câmara dos Deputados. Vem de novo o ministro, falar com o presidente da Casa, e lá estava eu disparando flashes entre milhões de outras máquinas, fotógrafos, jornalistas, assessores. Pelos corredores da Câmara, imagino quantas pessoas importantes, poder, decisões, lutas e caminhos rolam junto comigo naquelas esteiras que ligam os vários anexos do complexo dos deputados.
Sabe, nessas horas, dá até pra sentir um alívio em ter escolhido fazer uma coisa importante e emocionante, para o resto de sua vida.
De repente, eu sou testemunha ocular de uma medida que muda a vida de milhões de pessoas do país, e estou lá justamente quando o ministro apresenta as mudanças para a Associação em que trabalho; em primeira mão, claro.
Naquela sala, decidia-se sobre o futuro da educação no país; e eu sentia o peso de ser adulta e jornalista, responsável, em parte, pela mediação dessa informação para a imprensa nacional. Enquanto escrevo esse post, Fátima Bernardes dá a manchete no Jornal Nacional (sério!).
Depois de horas de reunião, chega alguém que informa ao ministro: a imprensa está esperando. Aí sim, ele e o presidente da entidade em que trabalho foram para a sala de coletivas do MEC, e os outros jornalistas da face da terra tiveram acesso à informação. rsrsrs Tá bom, eu sei que eu tô empolgada; mas é muito interessante sentir a responsabilidade social do jornalismo, o poder da informação e o poder que você tem sobre ele. A partir daí, meu celular não parou de tocar; com direito a produtora do Fantástico, gravação no SBT, entrevista para a CBN.
Parte II
Ok, superada essa fase, comi alguma coisa em 30 minutos e fui para a primeira de três reuniões que tinha na Câmara dos Deputados. Vem de novo o ministro, falar com o presidente da Casa, e lá estava eu disparando flashes entre milhões de outras máquinas, fotógrafos, jornalistas, assessores. Pelos corredores da Câmara, imagino quantas pessoas importantes, poder, decisões, lutas e caminhos rolam junto comigo naquelas esteiras que ligam os vários anexos do complexo dos deputados.
Sabe, nessas horas, dá até pra sentir um alívio em ter escolhido fazer uma coisa importante e emocionante, para o resto de sua vida.
P.S.: Só uma dúvida: eu tenho 21. E quando tiver 30 de verdade???
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Carteira de motorista
É deprimente perceber que você não escutou o que suas amigas te falaram e esteve cega a todos aqueles sinais vermelhos escancarados na sua frente. Seguiu em frente, não parou nas faixas de pedreste e não prestou atenção nos sinais amarelos. Bateu. Quebrou a cara e se despedaçou. Mais uma vez.
Quantas vidas haverá para serem arrebatadas? Quantas vezes se permitirá tal violência? Quantas vezes o seguro pagará o prejuízo do seu carro? Quantos atropelamentos movimentarão a esquina da sua casa?
Só um pedido. Antes que eu saia de carro, meninas, não apenas me avisem. Escondam as chaves. Me dêem os restos dos tarjas pretas que carrego na bolsa e me coloquem pra dormir. Não apenas me avisem, educadamente. Gritem, me obriguem. Me impeçam de cometer uma imprudência.
Eu sei, eu ainda não tenho licença pra dirigir. Quando eu crescer, talvez eu tenha uma. Por isso eu peço carona. Não me deixem sair de carro.
Quantas vidas haverá para serem arrebatadas? Quantas vezes se permitirá tal violência? Quantas vezes o seguro pagará o prejuízo do seu carro? Quantos atropelamentos movimentarão a esquina da sua casa?
Só um pedido. Antes que eu saia de carro, meninas, não apenas me avisem. Escondam as chaves. Me dêem os restos dos tarjas pretas que carrego na bolsa e me coloquem pra dormir. Não apenas me avisem, educadamente. Gritem, me obriguem. Me impeçam de cometer uma imprudência.
Eu sei, eu ainda não tenho licença pra dirigir. Quando eu crescer, talvez eu tenha uma. Por isso eu peço carona. Não me deixem sair de carro.
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